Sou uma observadora nata das pessoas, dos lugares, das coisas do cotidiano... Sorrio, choro, me emociono, me deixo levar pelo mar de sentimentos que a vida tem a oferecer... Às vezes chata, às vezes insuportável, mas, às vezes, uma flor de pessoa, amável e delicada. Sou uma constante inconstante.. Sempre mais do mesmo, mas o mesmo diferente a cada dia... Quando tudo parece perdido, despedaço-me e renovo-me como a natureza para sentir-me novamente forte... Sou menina moleca, mãe dedicada, mulher serena, rebelde sem causa, despida de preconceitos e pré-noções... Sou um misto de várias coisas por aí que fazem de mim, simplesmente, Aline.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um conto...


Bom dia, pessoas!!! Semana passada numa aula da faculdade, a professora nos pediu que criássemos um texto a partir de uma figura, para exercitarmos a escrita. Tratava-se de uma obra de René Magritte, um artista surrealista belga. O exercício proposto pela professora era para olharmos a obra e escrevermos o que ela nos transmitia. Resolvi então compartilhar esse pequeno conto com vocês. A figura e o texto seguem abaixo.
E então, numa cidade bem distante, nascia uma criança. Poderia ter sido só mais uma, e talvez, durante muito tempo, fora uma criança como outra qualquer. Mas algo dentro dele era bem diferente. Ele não conseguia pensar e agir como as outras crianças, pois algo extraordinariamente fantasioso crescia dentro de si, a sua imaginação exagerada.
Não demorou muito para tornar-se o maior contador de histórias da região. Aos dez anos de idade já era capaz de reunir dezenas de pessoas ao seu redor para lhe ouvir. Era sempre uma história diferente. Algumas alegres, outras tristes, umas realistas, outras fantásticas.
Aos poucos foi construindo um mundo só seu, impenetrável, onde somente ele ditava as regras, onde o desfecho era somente dele. O tempo passou e passou e passou, e de tanto imaginar, inventar e criar passou a acreditar em tudo aquilo. Começou a se sentir só, embora sempre rodeado de pessoas. Sempre tinha alguém para ouvir-lhe, mas esse mundo fantasioso o levou para uma outra dimensão, longe de tudo e  de todos.
Aos quarenta anos começou a achar que sua vida estava passando e ele não tinha feito nada dela, a não ser contar histórias. Não estudou, não trabalhou, não casou, não teve um filho sequer. E suas histórias, que antes eram um refúgio, passaram a ser algo torturante. E embora houvesse sofrimento a cada relato, ele não conseguia deixar de proferir palavras que vinham direto de sua alma.
Aos oitenta anos ainda sentava todos os dias no banco da mesma praça, com pessoas diferentes a cada dia, fazendo o que sabia de melhor, contar e criar contos e causos. Agora, mais cansado, velho, sozinho, apoiado em sua fiel bengala, preso num imenso mundo imaginativo, enclausurado em suas próprias idéias e pensamentos fabulosos.
Aline Teodosio

25 comentários:

  1. Ficou lindo teu conto, casou perfeitamente com a imagem!beijos,chica e tudo de bom!

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    1. Brigada, Chica! Eu tô exercitando a cada dia! rss bjus

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  2. oi Aline,

    perfeito,
    nossos pensamentos as vezes nos aprisionam mesmo...

    beijinhos

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    1. Pois eh, Rô! E vc tem q controlá-los ou eles eh q te controlarão.
      Bjus!

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  3. Oi Aline!
    Que legal seu conto! A vida para ser completa , não é apenas ser pensada, mas vivida. A imaginação tem que correr paralela ao viver.
    Beijinhos e linda semana!

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    1. Oi Valéria! Gostei muito da sua observação. Realmente, a imaginação traz um colorido a mais pra vida, mas tem correr junto com a ação, senão deixamos de viver.
      Bjus, querida!

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  4. Oi, Aline!

    Ficou maravilhoso o texto, de repente eu comecei a pensar na imagem e no que ela me despertou...

    Gostei do seu ponto de vista e vc escreve muito bem! Parabéns...

    Um abraço, gostei daqui!

    Boa semana e até breve!!! ^^

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    1. Obrigada, Mara!!!
      Volte sempre ao meu cantinho.
      Bjus

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  5. OI ALINE ..QUERIDA SAUDADES

    SENSÍVEL E EMOCIONANTE ESTE CONTO ..

    E QUANTOS DE NÓS NAO FAZEMOS ISSO POR VEZES TENTANDO CRIAR NOSSOS MUNDOS E DEIXAR AS PESSOAS DE FORA NÃO É?
    AINDA BEM QUE PELO MENOS ACORDAMOS LOGO E NÃO DEIXAMOS A SOLIDÃO PREVALECER NAS NOSSOAS VIDAS ... FIQUEI OLHANDO A IMAGEM E ADOREI A SUA INTERPRETAÇÃO ...MUITO BOA MESMO

    BEIJOS

    OTILIA

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    1. Oi Otília, saudades tbm!
      Pois eh.. às vzs precisamos nos recolher um pouco para avaliarmos as nossas vidas. Ruim é parar no tempo, deixar de agir..
      Bjus, querida!

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  6. Oi, Aline!
    Primeiro, obrigada pela visita lá no meu cantinho, fiquei muito feliz em te conhecer! Nesse mundo que anda meio capenga de pensamentos, estou pra lá de cansada de ver roupas, maxi-isso, it-aquilo e coisinhas do gênero!rs
    Esse exercício eu tenho o hábito de fazer com as pessoas ao meu redor, sempre que sinto alguma dificuldade em me colocar no lugar de alguém. Trabalho entre outras atividades, atendendo pessoas desconhecidas, e me esforço para imaginar uma história que possa ter levado ao ponto da situação que elas me levam. É um exercício que eu tenho muuuuita dificuldade, mas pelo que vi na sua interpretação da imagem, vc deve ser realmente bem imaginativa e sensível!
    Beijinhos

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    1. Oi Fá! Bem-vinda ao meu cantinho!
      Bom, eu sou um pouco imaginativa mesmo.. qndo vejo uma pessoa ou uma situação q me chame a atenção, viajo mesmo. rsrrsrs
      Só espero não ficar como o meu personagem aí.. rsrsr
      Bjus, flor!

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  7. Lindo texto,Aline! Voce escreve muito bem! O que voce estuda hein?

    beijos

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    1. Oi Day!!! Saudade de tu!!!
      Eu estudo Pedagogia.. tem q se ter muuuuita imaginação nesse curso e na profissão q exercerei.
      Bjus, flor!

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  8. Lindo minha amiga, senti uma energia muito boa ao ler o texto, você tem talento garota! beijinhos

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  9. Lindo o Texto, Aline!
    Gostei muito de ler, parabéns!

    bjs

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  10. Ai meu Deusss!
    Se a Aline soubesse a alegria que me causou quando pus-me a ler o comentário dela no meu cantinho ela passaria lá todos os dias rsrs
    Minha Flor,como senti saudades do teu cantinho e de tuas palavras...sempre me identificava com teus escritos não sei o porquê...eu meio que abandonei a blogosfera mas estou com planos de voltar,na realidade já voltei com uma parceria nesse blog aqui : http://jornalistanofuturo.blogspot.com.br/ mas estou pensando em criar um outro,te mando qndo tudo ficar pronto.
    Saudadocê viuuuuu?
    Vou aparecer sempre que der =)
    Um beeijo,Fica com Deus!

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    1. Pois eh Hellen.. tbm senti demais a tua falta por aqui.
      Avisa assim q vc tiver de cantinho novo, viu?! Por enquanto, vou dar uma passadinha nesse e no blog parceiro.
      Bjus

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  11. É muito belo criar, dar asas à imaginação e levar outras pessoas a se sentirem personagens de histórias não vividas. Mas a vida também pode propiciar essa alegria e motivar contos e contos. Não pode ser esquecida.

    Bjs.

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  12. Exatamente, Marilene. Se esquecemos da vida, deixamos de viver.
    Bjus, flor!

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  13. Aline,
    Que bom rever você!
    Também gosto do seu modo de escrever e postar.Parabéns pelo conto!Nesse espaço criativo virtual temos muita liberdade para deixar fluir nossos pensamentos.
    Abraços,bom dia!

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  14. Ah,vejo na sua slidebar que você tem facebook.Podemos nos encontrar por lá?

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